Coisas da vida e da sorte.

Existem coisas, melhor, existem eventos na nossa vida que provocam uma inflexão na nossa curva da vida e nos fazem crer que agora a nossa direção será outra. Já tive alguns desses pontos e do pior já passaram anos.

Seguia eu a minha vida em sossego pensando que algo de mim já tinha morrido, tinha sido esterilizado para sempre; sido queimado e espalhado sal pelas cinzas.

Andava eu perdido olhando apenas o presente quando se dá outra inflexão.

De repente dou de caras com algo. Não! Com alguém que me mostra que existe outro caminho. Cujo sorriso rega as terras, terras que pensava mortas para qualquer vida, e delas brota uma nova esperança, um novo objetivo… Estou ourado.

Renasci para uma nova vida.

Obrigado pelo teu sorriso!

Obrigado pelas tua teimosia!

Obrigado!

Sejam felizes.

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Kafkiano

Um destes dias num fim de noite disseram-me que sou kafkiano.

De acordo com um dicionário online que se alimenta da Porto Editora, kafkiano é:

1. LITERATURA relativo a Franz Kafka (1883-1924), escritor de língua alemã nascidoem Praga, ou à sua obra;

2. figurado labiríntico; angustiante;

3. figurado absurdo.

Nunca tinha pensado em mim desta perspetiva, não penso muito em mim, mas ouvir “és kafkiano” à queima roupa fez-me pensar.

Ouvir és kafkiano numa noite em que deixei uma pessoa passar – dizer que deixei passar é uma figura de estilo, ela entrou e nem sei se bateu à porta – para dentro do meu espaço íntimo foi como um choque que me fez descer do mundo da fantasia a este.

Realmente deve ser angustiante alguém tentar me entender por andar sempre pedido em pensamentos labirínticos onde tantas vezes me escondo. Mas naquela noite estava fora do mundo imaginário e pimba “és kafkiano”.

Ainda estava ourado quando me deixo arrastar para uma conversa banal de relações complicadas das que me fazem dizer coisas parvas em que não terminam em espancamento, o meu, por sorte minha.

O estranho é ter deixado os meus dedos se envolverem numa conversa surda de palavras. Foi um pequeno fragmento do meu corpo físico que voou para uma outra dimensão levando ou deixando se levar por outros dedos. Estranho diálogo que me queimava os dedos.

Noite estranha para ouvir “és kafkiano”.

Noite em que deixei uma pessoa entrar no meu labirinto e nem lhe dei tempo de amarrar o cordel à entrada para saber o caminho de saída. Kafkiano devo ser.

Já falei de mais.

Sejam felizes!

Quase Novembro

É meio de Outubro, quase Novembro.

O outono avança em direção ao inverno e não falta muito para se estar a comer umas castanhas assadas à lareira.

Estranho estar sentado numa esplanada de frente para o mar. Estar com os calções molhados por causa da tarde de praia e dos mergulhos no mar, estar em tronco nu aguardando o sol se pôr.

Estranho este tempo primaveril no outono.

Estranho esta calma. Só as ondas do mar se agigantam lá longe.

Que bem me sabe beber este fino e olhar o mar, ouvir o rugido das ondas distantes. Que bem me faz.

Que bem me sabe o calor que sinto na pele.

Que bem me vai saber mais um fino gelado.

Sejam felizes

Coisas

Uns dias a esta parte tenho pensado nesta história e como a enquadrar em alguns acontecimentos que tenho vivenciado.

Que me rebanho de ovelhas para a serra a pastar. Como estava sozinho durante todo o dia, aborrecia-se muito. Então, pensou numa maneira de ter companhia e de se divertir um pouco. Voltou-se na direção da aldeia e gritou:

“Lobo! Lobo!”.

Os camponeses correram em seu auxílio. Não gostaram da graça, mas alguns deles acabaram por ficar junto do pastor por algum tempo. O rapaz ficou tão contente que repetiu várias vezes a façanha.

Alguns dias depois, um lobo saiu da floresta e atacou o rebanho. O pastorzinho pediu ajuda, gritando ainda mais alto do que costumava fazer:

“Lobo! Lobo!”.

Como os camponeses já tinham sido enganados várias vezes, pensaram que era mais uma brincadeira e não o foram ajudar. O lobo pode encher a barriga à vontade porque nuinguém o impediu.

Quando regressou à aldeia, o rapaz queixou-se amargamente, mas o homem mais velho e sábio da aldeia respondeu-lhe:

“Na boca do mentiroso, o certo é duvidoso.”

Sai de casa com algumas ideias quando comecei a ver este magnífico por o sol que me acompanhou até à cidade:

Então pensei:

Foda-se! Se até o dia em todo o seu esplendor se veste assim para receber a noite e tenho o privilégio de me deliciar com estas cores, porque carga de água deixarei que algumas pessoas me tirem a alegria de alguns momentos?

Sejam felizes.

Momentos em que nem o álcool ajuda

Aqui não resisto a escrever as seguintes linhas, uma vez que ninguém me ouve nem lê.

Existem momentos em que as jovens de voz irritante, nariz empinado, empertigadas, fúteis e muito giras me deixem completamente excitado e com vontade de descobrir se existe algo onde pegar além do corpinho sexy e da, aparente, falta de inteligência.

Existem carinhas e corpinhos tão lindos e excitantes que não tiveram sorte nenhuma com o cérebro que lhes calhou… uma pena.

Tão linda…
Sejam felizes.

Existem dias em que… (continuação)

É em momentos como este que convenço que este país minúsculo, territorialmente falando, é grande de mais, gigante, digo eu, tendo em conta a pequenez de atitude de muitos dos seus habitantes.

Como seria este país com as gentes que nos levaram além mar? Muito para além do conhecido?

Aposto que Portugal, nesses tempos idos, tinha muito menos território 😁
Sejam felizes!