20 anos!

Fez em novembro do ano passado (o ano dois mil e dezasseis) 20 anos.

Fez vinte anos que vim trabalhar para Lisboa. E hoje, uns meses depois, percebi isso.

Percebi que já passaram vinte anos por ter ido ver o filme “T2: trainspotting” e por o “Trainspotting” ter sido o primeiro filme que vi na capital.

Vinte anos!

E como o mundo mudou em vinte anos… basta comparar o monólogo “Choose Life.” do primeiro filme com o do segundo.

Trainspotting
Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance. Choose fixed interest mortage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose to rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.
Choose your future.
Choose Life.

T2: Trainspotting
Choose life. Choose Facebook, Twitter, Instagram and hope that someone, somewhere cares. Choose looking up old flames, wishing you’d done it all differently. And choose watching history repeat itself. Choose your future. Choose reality TV, slut shaming, revenge porn. Choose a zero hour contract, a two hour journey to work. And choose the same for your kids, only worse, and smother the pain with an unknown dose of an unknown drug made in somebody’s kitchen. And then… take a deep breath. You’re an addict, so be addicted. Just be addicted to something else.
Choose the ones you love.
Choose your future.
Choose life.

Vinte anos depois e não aprendemos a escolher viver. Só aprendemos novas futilidades…

Sejam felizes.

Café Society

Acabo de ver o filme Café Society.

Não venho aqui falar do filme, porque, como todos os anteriores filmes de Woody Allen, é uma magnífica peça de arte cinematográfica.

Venho aqui por ter ficado com vontade de partilhar algo estranho. O ato de partilhar ajuda a exorcizar alguns pensamentos.

Como no final do filme, também fiquei, por breves momentos, são sempre breves os momentos na nossa lembrança, na passagem de ano a pensar no que não deveria ter lembrado. 

Agora que vi o filme pensei: 

 – será que foi recíproco?

Pensei em outras circunstâncias que um dia destes podem ocorrer…
Sejam felizes.

Não sei quantas almas tenho

poema de Fernando Pessoa que me deixou a pensar naquilo que não sou.

 — x —

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

 — x —

Por Fernando Pessoa

Existem coisas curiosas.

Existem coisas curiosas.

Muitas das imperfeições que nos fazem fugir de uma determinada mulher, quando nos apaixonamos nem as vemos e apenas reparamos naquilo que nos deixa num estado de êxtase, excitação sem explicação para quem, de fora, nos observa.

Não entendo o motivo de tantas mulheres perdem tempo com coisas que nem vemos…
Sejam felizes.

Outono

Ontem publiquei o seguinte no IG:

A brincar com o facto de estar uma noite agradável para estar numa esplanada.

Pela chuva que cai lá fora, ontem queimei mesmo os últimos cartuchos.

Espero que o outono esteja aí para ficar até ao inverno.
Sejam felizes.